Telefone0800.600.4780 ou (43) 3026.4780, de seg. à sex, das 08:45 às 18:00 Whatsapp (43) 98427.4203
NÃO CONSIGO ME LIVRAR DO PREJUIZO 011

Não consigo me livrar do prejuízo! Entenda onde você pode estar errando – Neuroeconomia: Parte 3

Series de Posts: Neuroeconomia

timeTEMPO DE LEITURA MENOS DE 8 MINUTOS

O investidor está à mercê de comportamentos que fazem parte da natureza humana e, se ceder a esses impulsos, tem tudo para ser expelido do mercado, como acontece à grande parte daqueles que se aventuram na bolsa de valores sem apoio de um agente autônomo de investimento, sem os conhecimentos necessários e sem uma equipe para apoiá-lo.

Esses comportamentos foram mapeados pelos psicólogos israelenses Daniel Kahneman e Amos Tversky a partir de seus estudos financeiro-comportamentais, hoje chamados de neuroeconomia. Sua pesquisa lhes rendeu o Nobel de Economia, em 2002, e até hoje eles são os únicos psicólogos a ganhar um.

Esses atalhos mentais, diagnosticados por Kahneman e Tversky, usados na tomada de decisões, enchem os investidores de certezas em momentos em que deveriam ter mais dúvidas e os induzem ao erro. E, quando o investidor acerta, acaba acertando pelos motivos errados, lhe dando ainda mais convicção em crenças equivocadas.

Uma das crenças mais comuns é a de que se pode antecipar o movimento dos mercados, saber se vai cair ou subir. Todo analista competente sabe que qualquer previsão se baseia em possibilidades, em estatística, e tem grandes chances de não ser confirmada. É muito mais eficiente no longo prazo o investidor se apegar a fatores aos quais ele tem controle, como o gerenciamento de risco. Mas, na prática, não é isso o que acontece.

Vamos ver alguns dos vieses apontados pelos psicólogos, dentre as dezenas que eles mapearam.

  1. Aversão à perda

Segundo os estudos da neuroeconomia, a dor da perda de um valor é duas vezes superior ao prazer do ganho desse mesmo valor. Assim, é comum que investidores retirem ou baixem seus stops, para evitar realizar um prejuízo ainda pequeno, mas que cresce com o tempo e que fica cada vez maior (como se estivessem adiando, evitando ou negando o prejuízo). O stop é um mecanismo de segurança que encerra uma operação que deu errado enquanto o prejuízo é aceitável.

Por outro lado, quando esse mesmo investidor está ganhando, através da aversão à perda, sai da operação antes do tempo, com medo de perder o que já ganhou. Assim, influenciado por essa armadilha mental, ele, quando perde, perde muito, e, quando ganha, ganha pouco. O que, ao cabo de algum tempo – basta fazer as contas – leva ao prejuízo.

Este viés é tão importante e nocivo que escrevemos um artigo só sobre ele.

Se quiser ter sucesso, o investidor precisa inverter esse comportamento, passando a, quando perder, perder pouco (principalmente porque segundo a estatística as perdas são mais numerosas). E, quando ganhar numa operação, ganhar pelo menos o triplo do que aceitava perder.

  1.  Otimismo

O investidor se acha capaz de mensurar todos os riscos e, através de sua análise, prever o futuro. Por exemplo, o futuro do preço de um ativo qualquer. Embora, todos os analistas sérios digam que isso não é possível, mas tão somente probabilidades estatísticas, esse investidor acreditará tanto em suas previsões que, ao comprar um lote de ações, mesmo que os preços caiam continuará numa posição comprada. É possível que, nesse momento, chegue a comprar mais ações, pois segundo suas análises (que na sua cabeça, não podem estar erradas) o papel, agora está barato. E, assim, ele se mete cada vez mais no buraco.

Considere o quanto este viés pode ser nocivo se unido ao primeiro, a aversão à perda. Incapaz de realizar um prejuízo no limite do aceitável, o investidor viaja cada vez mais para dentro do inaceitável, enquanto tenta se convencer que as ações, em breve, voltarão a subir. Provavelmente isso só virá a acontecer quando, finalmente, ele vender suas ações a um preço muito mais barato do que quando comprou. O mercado está cheio de histórias assim.

  1. Viés de confirmação

Este quem já esteve apaixonado sem ser correspondido conhece. Embora a outra pessoa não tenha demonstrado real interesse ou mesmo já tenha dito com todas as letras que não está interessada, a vítima desse viés interpretará todas as palavras e gestos como um sinal de que talvez – ou até com certeza – de que ela está interessada sim.

Não se engane. Apesar de envolver números e dinheiro, investimentos são muito mais complexos que o dos relacionamentos (que a bem da verdade também não são nada fáceis).

Por alguma razão misteriosa, o investidor quer comprar determinado lote de ativos. Ele vai olhar as notícias e interpretá-las, não importa qual a sua natureza, de maneira a justificar essa compra. Ele olhará os indicadores, mais indicadores do que seria recomendável, e eles vão confirmar a compra.

Se houver algum que diga o contrário, ele será ignorado ou até violentamente refutado.

Agora, junte este viés com os dois anteriores. Além de não querer realizar a perda, pela aversão ao prejuízo, acreditar piamente que os preços vão subir, pelo otimismo, nosso investidor hipotético (não tão hipotético assim, visto que ele pode ser você ou eu) tem a sua disposição uma infinidade de recursos – indicadores, notícias, opinião de amigos, artigos duvidosos em fóruns, outros investidores que embarcaram na mesma jangada errada que confirmam seu posicionamento. Será, até mesmo, um excesso de informações enquanto os bons investidores costumam dizer que é preciso limitar a decisão às informações essenciais apenas.

E o investidor continuará confirmando seu posicionamento, travestindo interpretações subjetivas com objetividade, até que seja, de fato, objetivamente impossível ficar no mercado e o ele esteja objetivamente falido.

Mais uma vez: o mercado, sobretudo a bolsa de valores, está cheio de histórias assim.

Ainda há pelo menos mais 29 vieses cognitivos, prontos para impedir você de ter sucesso na bolsa de valores.

  1. Ancoramento: o investidor se apega a determinado preço e não acredita que o ativo possa subir ou cair mais que aquilo. Ele se “ancora” a uma primeira impressão.
  2. O viés da conformidade ou efeito manada: “Todo o mundo está comprando, então eu vou comprar também. Tanta gente, não pode estar errada.” Pode sim. Em 2008, o clima era de euforia. Todas as pessoas em posições compradas e, inevitavelmente, o mercado começou a cair. É comum que na bolsa muitos investidores prefiram morrer abraçados a ter a coragem de sobreviver sozinho.
  3. Viés do sobrevivente: é a tentativa de se espelhar em personagens ou situações que se destacam demais. Não adianta você ser George Soros ou Warren Buffett. Foque nas suas possibilidades e determine o seu tamanho. Um sucesso não precisa ser o maior sucesso do mundo. Principalmente para o iniciante, o objetivo é não ter um prejuízo muito grande no início do aprendizado, se proteger e se educar.
  4. Viés da correlação ilusória: houve um acidente de trem e as ações da empresa XYZ caíram. O investidor conclui que sempre que houver um acidente de trem aquelas ações vão cair. É impossível saber se essa correlação é verdadeira, mas muitos traders confiam nas notícias para tentar adivinhar se os preços vão cair ou subir. As notícias muitas vezes são relevantes, mas os preços costumam antecipar a sua divulgação pela mídia. E, quando não antecipam, é praticamente impossível prever para que lado impulsionaram os preços e com que intensidade.

E, além desses, mais duas dezenas, pelo menos.

Conclusão

Esses são apenas alguns dentre as dezenas de vieses cognitivos, estudados por Kahneman e Tversky, que podem levar um investidor da bolsa de valores ao prejuízo.

Não basta apenas conhecê-los. É preciso percebê-los em si mesmo e admitir que eles estão presentes em seu modo de interpretar o mundo e a bolsa de valores.

Muitos investidores experientes costumam dizer que mais difícil que encontrar um bom setup para investir ou boas aplicações é conhecer a si mesmo e vencer o automatismo de nossas decisões.

Avaliação dos Leitores
[Total: 6 Média: 3.8]

[contact-form-7 404 "Not Found"]
Avaliação dos Leitores
[Total: 6 Média: 3.8]