Telefone0800.600.4780 ou (43) 3026.4780, de seg. à sex, das 08:45 às 18:00 Whatsapp (43) 98427.4203
O QUE VOCÊ PREFERE NÃO PERDER OU GANHAR NA BOLSA DE VALORES 011

O que você prefere: não perder ou ganhar? Na bolsa de valores, são duas coisas completamente diferentes – Neuroeconomia : Parte 2

Series de Posts: Neuroeconomia

timeTEMPO DE LEITURA MENOS DE 6 MINUTOS

Suponha que você está andando na rua e encontra, no chão, uma nota de cem reais. Você, naturalmente, fica muito feliz.

Uma hora depois, você descobre que colocou a nota displicentemente no bolso e, por isso, ela caiu ou foi roubada. Você, naturalmente, fica muito triste.

O que foi maior? O prazer de encontrar a nota ou a dor de perdê-la?

Segundo os estudos da neuroeconomia, desenvolvidos pelos únicos psicólogos a ganhar um Nobel de Economia, Daniel Kahneman e Amos Tversky, a dor da perda é duas vezes maior que o prazer do ganho.

Essa descoberta, que, suponho, deu muito trabalho para ser encontrada, nos leva a algumas conclusões simples e importantes a respeito de porque muitas (muitas pessoas mesmo) se dão muito mal na bolsa de valores.

Fugindo da dor

Esse viés do comportamento econômico se chama aversão à perda. Ela vai fazer com que um investidor inexperiente funcione ao contrário da lógica do mercado.

Um dos preceitos fundamentais do gerenciamento de risco na bolsa de valores é que, quando você acertar uma operação, ganhe três vezes mais do que o que perde quando uma operação dá errado. Esse é um número arbitrário, mas que muitos traders experientes usam.

Para conseguirmos isso, usamos um stop loss que encerra automaticamente nossas perdas quando a operação atinge, por exemplo, 2% de prejuízo em relação ao nosso capital total. E um stop gain quando o lucro atinge três vezes o valor que aceitávamos de início perder.

Agora, imagine o seguinte: você acabou de entrar numa operação. Aceita perder R$ 200 (estimando que seu patrimônio investido na bolsa seja de R$ 10 mil). O ideal é que o lucro possível seja de R$ 600.

Depois de alguns minutos, você já está lucrando R$ 200. É bastante dinheiro para alguns minutos. Então, o ativo cai um pouco e o lucro cai para R$ 170. Mas seu inconsciente está agindo nessa hora: a dor da perda é duas vezes maior que o prazer de ganhar. Com medo de que o preço caia mais, sem nada indicar que continuará caindo (supondo que nesse exemplo a tendência seja ideal e de forte alta), você vende. É um lucro, mas…

Por que isso vai dar errado

Acontece que, mesmo com um setup bom e mesmo que você seja um bom investidor, é comum que as operações que dão errado cheguem a 50%. Às vezes até mais. Então, faça as contas: em 50% das operações você perde R$ 200, em 50% lucra menos que isso, digamos R$ 170. Você tem um prejuízo de R$ 30 a cada duas operações. No longo prazo, você perderá dinheiro.

Claro, essa é uma narrativa grosseira.

Na prática, ao longo de um trade, não importa o período (day trade, swing trade ou position), durante o andar da operação o stop loss se move na direção do lucro, reduzindo ainda mais o tamanho das perdas se elas ocorrerem. Em alguns casos, o stop loss até ficará acima da entrada da operação, garantindo um lucrinho, mesmo que o mercado mude de direção repentinamente. E, seguindo-se um critério do setup, o lucro também pode ser realizado antes de se atingir a meta de três vezes o valor do stop loss, caso o ativo demonstre com clareza que vai mudar de direção. Mas tudo isso é outra história para outro capítulo.

Negação da perda

A aversão à perda induzirá o investidor a outro comportamento, que unido a outros vieses de interpretação, pode levá-lo mais fundo em uma operação que deu errado.

Como a dor da perda é muito maior que o júbilo do lucro, quando estiver em uma operação que começa a dar errado, ele pode vir a tirar o stop loss ou posicioná-lo mais abaixo, numa situação de compra, ou mais acima, numa situação de venda.

É um processo de negação que vai se juntar ao viés do otimismo e ao viés da confirmação. O primeiro faz o investidor “acreditar” que o ativo voltará à direção que ele deseja. O segundo fará encontrar evidências de que isso acontecerá, seja em indicadores, notícias e até mesmo fóruns da internet.

Ele será capaz de comprar – ou vender, no caso de uma operação de venda – ainda mais ativos, só para demonstrar para si mesmo como acredita em sua decisão.

O que o stop tem a ver com a aversão à perda

O stop é uma ferramenta de segurança que devemos posicionar simultaneamente à entrada em um trade. Ele nos protege de movimentos bruscos e garante que o encerramento da operação seja feita automaticamente, tão logo se atinja o prejuízo máximo aceitável para nosso gerenciamento de risco.

Como esse comportamento descrito anteriormente, o investidor está negando que aconteceu ou acontecerá um prejuízo. O que deve mudar: você deve comemorar que havia um stop loss. Se o preço cair ainda mais, verá que seu prejuízo poderia ter sido ainda maior se não tivesse usado os mecanismos de proteção.

E, se depois de ter seu stop atingido o preço voltar a subir (o que leva o apelido de “violinada” no mercado), mantenha a calma, pois nem sempre isso ocorre. Ao contrário, sem o uso do stop, os grandes prejuízos serão uma constante, já que mais de 50% das vezes a operação falha.

Conclusão

Para o bom investidor, levar um prejuízo planejado e assegurado pelo stop loss não é um erro, não dá prazer nem tristeza. Levar um stop não significa que você errou. Ao contrário.

O que dá certo ou o que dá errado é demonstrado no longo prazo e, nesse caso, erro é deixar de fazer o gerenciamento de risco, não usar as ferramentas para isso, como o stop, e não buscar um lucro que seja superior pelo menos três vezes ao seu prejuízo aceitável.

O viés da aversão ao risco é um dos mais sutis e traiçoeiros e precisamos lembrar dele quando estivermos suando frio em uma operação, loucos para encerrá-la antes de que ela atinja seu objetivo.

Avaliação dos Leitores
[Total: 9 Média: 4.4]

[contact-form-7 404 "Not Found"]
Avaliação dos Leitores
[Total: 9 Média: 4.4]