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Jesse Livermore: De 5 dólares a 75 milhões em 15 anos

Você ganha uma fortuna na bolsa de valores.

Aí perde tudo.

É o suficiente pra desistir, juntar suas coisas, vender sua estação de trades e voltar para a renda fixa exclusivamente.

Isto é, se ainda restar alguma coisa que possa ser aplicada na renda fixa.

Mas Jesse Lauriston Livermore era diferente.

Ele passou por esse processo nada mais nada menos que quatro vezes. Por quatro vezes ele foi derrotado pelo mercado. E, por quatro vezes, se reergueu.

Considerado por muitos o maior trader de todos os tempos, a vida de Livermore, nascido em 1877, parece saída do famoso discurso motivacional de Rocky, o Lutador: independentemente de quão forte você bata, o que vale é quantas vezes você é capaz de levantar quando apanha.

E, de fato, em todas as suas derrotas, antes de juntar fortuna novamente, a última coisa que Livermore faria era culpar alguém, o mercado, por exemplo.

Essa era uma das diretrizes dele, inclusive: isente o mercado de seus prejuízos.

DE US$ 5 A US$ 75 MILHÕES EM 15 ANOS

Livermore saiu de casa aos 14 anos de idade. Tinha 5 dólares do bolso. E foi trabalhar em uma corretora. Isso foi no início da década de 1890. Pra você ter uma ideia, Charles Dow mal havia formulado sua famosa teoria. Ela é de 1884.

Pouco mais de 15 anos depois de começar, já tinha uma fortuna de US$ 3 milhões. No ano de 1907 isso era dinheiro sem fim. Em valores atuais, segundo este site, seria algo como US$ 75 milhões.

No período da quebra da Bolsa de Valores de Nova York, já em 1929, quando todo o mundo estava perdendo a cabeça, ele tinha US$ 100 milhões. Eu tive que parar e conferir o número de zeros, porque isso equivale a US$ 1,5 bilhão em valores atuais que ele acumulou simplesmente fazendo trades.

Foi um dos primeiros investidores a fazer trades curtos e a ganhar muito dinheiro com isso. Sua melhor fase foi quando descobriu que deveria operar na tendência. Isto é: comprando quando o mercado estivesse subindo e vendendo quando o mercado estivesse caindo.

NO FIM, PERDEU TUDO: FICOU SÓ COM US$ 87 MILHÕES

Mas tamanha resistência e conhecimento do mercado foi insuficiente para, em 1940, impedi-lo de suicidar-se.

Nada indica que suas eventuais perdas tenham ocasionado sua decisão de dar cabo da vida.

Especula-se que tenha sido vítima da depressão, mal que naquela época era relativamente desconhecido e tratado como hoje é. Os reais motivos, como muitos casos de suicídio, jamais serão conhecidos.

Antes disso, ele surfou as oportunidades oferecidas pela Primeira Grande Guerra, pelo Crash e pela depressão econômica e iniciou ganhos com a então recente entrada dos Estados Unidos na Segunda Grande Guerra.

Sua morte aconteceu um pouco depois de sua última falência. Ainda assim, deixou a seus herdeiros US$ 5 milhões que, em valores de hoje, seriam US$ 87 milhões.

Nada mal, considerando que foi à falência quatro vezes durante a vida.

BIOGRAFIA

A vida de Livermore foi registrada pelo jornalista Edwin Lefèvre. O livro Reminiscências de um Especulador Financeiro é narrado em primeira pessoa. Em nenhum momento o nome do narrador é mencionado. Mas sabe-se que é Livermore.

Só recentemente um livro de Livermore foi traduzido à língua portuguesa. Em inglês, o livro saiu no ano de sua morte. Como Negociar Ações tem lições que até hoje podem ser usadas por traders e investidores. Na época do lançamento, foi mal recebido, mesmo com suas inteligentes sacadas da psicologia do trade, da filosofia da bolsa de valores e de conceitos quanto a negociação de ativos.

ESTRATÉGIA

Livermore fazia o que na época era novidade mas que entre os day traders de hoje é comum. Ou seja, foi um pioneiro.

Como fazia transações de curto prazo, desconsiderava o valor intrínseco de uma ação, isto é, ele desconsiderava o preço que a análise dos fundamentos da empresa indicavam que ela deveria valer.

Pra ele, ação barata ou cara são conceitos irrelevantes. A ação vale o que vale. O que conta é se a ação vai subir ou cair nos próximos instantes, se ela vai se manter numa tendência – de alta ou baixa – ou se a tendência será revertida no instante seguinte.

Principalmente no início de sua vida de trader, ele era um verdadeiro scalper, preferindo lucrar nas pequenas variações de um ativo, entrando na operação e saindo tão logo ela apresentasse um sinal positivo.

Segundo pode-se ler em diversos de seus conselhos, ele parece ter mudado de comportamento com a maturidade, alongando mais as suas operações.

CONSELHOS DE LIVERMORE

Em negrito, os conselhos de Livermore seguidos de algumas observações nossas que, de maneira alguma visam corrigir, mas tão somente contextualizar as ideias a nossa realidade de iniciantes no day trade.

  1. Wall Street nunca muda, os bolsos mudam, as pessoas mudam, as ações mudam, mas Wall Street nunca muda pois a natureza humana nunca muda: a psicologia coletiva da bolsa de valores sempre será regida por elementos como pânico, euforia, medo e cobiça;

  2. O jogo da especulação é o mais fascinante do mundo. Mas os estúpidos, os mentalmente preguiçosos, aqueles com fraco balanço emocional e os que querem ficar ricos rapidamente devem ficar de fora. Esses vão morrer pobres: se você está querendo fazer day trade, organize seu conhecimento, estude e encare a bolsa de valores como um jogo de estratégia pois ela nada tem a ver com os jogos de azar;

  3. Os frutos de seu sucesso estarão em direta proporção à sua honestidade em manter os seus próprios dados, pensar por si mesmo e tirar suas próprias conclusões: se você começar a mentir a si mesmo quanto a seus resultados, vai ser expulso do mercado. Pior ainda se você sequer tiver controle dos resultados positivos ou negativos;

  4. Existem momentos nos quais dinheiro pode ser feito especulando ou investindo na bolsa de valores. Mas é impossível fazer dinheiro todos os dias ou todas as semanas em um ano. Só os tolos tentarão: os ganhos na bolsa de valores são inconstantes. É improvável sebater metas de ganhos diariamente. Haverá épocas de prejuízo, não tenha dúvida. O day trader prova sua eficiência no longo prazo, embora opere no curto;

  5. Se você acredita que uma tendência altista ou baixista está se desenvolvendo, fique imóvel até o momento em que o movimento do mercado confirmar sua opinião: desenvolva seus setups ou aprenda setups eficientes e os use com disciplina;

  6. A experiência me provou que o dinheiro grande feito na especulação, costuma ser feito em trades que mostravam lucro desde o começo: sabe aquele trade que vai bem desde o início, que vai embora sem sequer fazer menção de ir em direção ao stop loss; pela experiência de Livermore o ganho está nesses;

  7. Você compra uma ação por 30 dólares, no dia seguinte ela está em 32. Não fique com medo de perder esse pequeno lucro porque ela ainda pode subir, pra 34, 35 ou até mais! Enquanto estiver certo, mantenha a posição. E você sabe que está certo pois caso contrário, não teria nem esses 2 dólares de lucro: isto é, respeite seu stop gain e só saia da operação quando ela de fato tiver sido encerrada, sem se deixar seduzir por lucros pequenos;

  8. Se uma ação contraria o que foi antecipado, eu imediatamente considero que o timing está errado e fecho minha posição. Se depois eu receber um novo sinal de entrada, eu entro novamente: se a operação fica estagnada, talvez não valha a pena ficar nela, ainda que o stop loss não tenha sido atingido; é uma espécie de stop de tempo… se demorar, é o caso de cair fora;

  9. Evite a todo custo acompanhar muitos mercados ao mesmo tempo. É mais fácil cuidar de poucas coisas do que muitas. Eu cometi esse erro a alguns anos atrás e perdi dinheiro: day trade exige concentração. Se você começar a olhar muitos ativos ao mesmo tempo pode começar a ficar perdido, perder oportunidades e entrar nos trades errados.

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